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Portal Ciclo Aventureiro com Juli Hirata # Extremos das Américas # Episodio 1 Alasca

Juli Hirata esta com a Vale Boa Ventura nesta nova serie que denominamos Ciclo Aventureiros.

Conheça mais sobre Juli Hirata nesta entrevista da revista Bicicleta, Clique no link: Juli Hirata

Link: Juli Hirata

#  O Inicio que eu pedi a todas as deusas e deuses! - parte 1

 04.05.2016 Fonte Blog Juli Hirata / Ciclo Aventureiros

Antes de voar pra Deadhorse/Prudhoe Bay, dois Guilhermes muito especiais me escreveram o mesmo conselho: siga seus instintos.

Achei engraçada a coincidência de duas pessoas que não se conhecem e com o mesmo nome me darem o mesmo conselho. Dentro do avião vazio, entre o encantamento com a paisagem branca lá fora e uma turbulência fiquei pensando o quão difícil é pra mim entender a diferença entre meu instinto e minha razão.

No voo completamente vazio entre Fairbanks e Deadhorse/Prudhoe Bay.  

A Dalton Highway foi o início perfeito pra mim. Muito mais dura, mais difícil, (muito mais) fria, isolada e bonita do que eu havia imaginado e por todas essas razões, foi perfeita. Sem dúvida, de longe, a minha pedalada mais difícil até hoje.

Os primeiros dias de pedal foram os mais duros e frustrantes. Eu havia estudado a altimetria desse trecho e a variação era de 5m de altitude somente, se eu tivesse vento ao meu favor seria muito tranquilo bater a meta de 90km em um dia (lembrando que lá amanhasse as 5:40 e “escurece” as 23:30) inteiro de pedalada, certo?

Tem um ditado aqui no Alasca que diz que aqui quem manda é o Alasca e eu complemento, a Dalton Highway é o filho único mimado do chefe. Eu nos meus ingênuos e otimistas planos “esqueci” de consultar o chefe mor.

Eu estava carregando comigo além do equipamento usual, mantimentos para 15 dias de pedalada e 4 litros de água (que nas primeiras horas ainda era líquida). Eu mesma estava “geometricamente” e “motoramente” diferente, estava vestindo duas meias de lã grossa, um aquecedor químico para pés, dentro da minha velha bota que estava coberta por uma capa corta-vento e a prova de água; três calças sendo uma térmica, uma com refletor de calor e a calça corta-vento por cima. 

Uma luva dupla com Gore-tex, uma balaclava com concha respiratória, um gorro e 5 blusas com camadas com diferentes funções. Os óculos escuros e um colete refletivo laranja fosforescente que eu ganhei de presente no alojamento que fiquei hospedada eram as “cerejas” do imenso bolo de camadas que eu havia me tornado.

Depois de uma extensa sessão de fotos na entrada do alojamento um súbito senso de urgência me tomou! Eu tinha que sair! Eu tinha que sair naquele momento! Eu estava acompanhando a velocidade e direção do vento desde as 5:10 da manhã e por volta das 8:30 finalmente o vento atingiu a velocidade de 9 mph (cerca de 14km/h) depois de uma noite oscilando entre 25mph e 17mph. Eu tinha que sair logo!

No hall do alojamento em Prudhoe Bay.

 Com a bike na “rua” olhei ao redor e só vi branco. Liguei a câmera e comecei a pedalar.

“meu Deus! a bike está pesando uma tonelada!” eu pensei.

Na saída do estacionamento, procurei pela marca mais escura no chão que indicava a “rua” sob a neve e gelo. O pneu com as tiras que eu havia instalado para aumentar o atrito com o gelo pareciam quebrar algo o tempo todo no chão. Fora esse barulho, o silencio era absoluto! Uma van passou por mim enquanto eu estava parada, olhando o inicio da estrada. Tirou uma foto e eu perguntei:

“Essa é a Dalton Road” - numa tentativa de diminuir a estrada

“Sim, essa é a Dalton HIGHWAY!”

Agradeci e olhei de novo pra aquela linha escura cortando o branco absoluto. Eu estava apavorada, emocionada e já com frio. Era 10:30, hora de começar.

Respirei fundo e comecei a pedalar, meu coração bateu mais forte e eu quase não tive tempo de sorrir quando a bike simplesmente saiu debaixo de mim! Fui pro chão! Gelo! Deitada, puxei a bike pra perto de mim e comecei a rir! Gargalhar!

“Já?!”

Olhei no relógio e nem 5 minutos haviam se passado! Nem 5 minutos!!!

Que começo! 

A Dalton Highway alguns quilômetros ao sul de Pruhoe Bay. Por conta da neve e do gelo quase não se percebe o limite entre a estrada e a Tundra congelada. 

 Depois dessa queda, cai mais umas 200 vezes! Sem exagero, cai muito, cai de todos os jeitos e ri muito! A cada queda eu ficava melhor na arte de cair…

Toda vez que eu achava que estava pegando a manha de pedalar nas placas de gelo, eu caía. 

Depois de 4 horas caindo e só 20kms rodados senti que era hora de parar. Eu precisava descansar e as quedas estavam perdendo a graça. Eu não estava fisicamente cansada mas estava tensa com todo o esforço pra manter a bike de pé. Eu estava com fome e muita sede.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acompanhe e Inspiri-se. 

 

 

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Qual o morro mais difícil de Blumenau ?
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